Mais de 2000 Alunos Não Puderam Assistir Aulas de Medicina Em La Plata

3.200 alunos estão matriculados, porém a capacidade da sala de aula é de 700 lugares. O centro estudantil reclama por mais lugares e salas maiores

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Já falamos aqui da “onda de estudantes brasileiros” na UBA (Universidad de Buenos Aires), que em sua grande maioria procura o curso de medicina.

Muitos estudantes então estão buscando cidades alternativas, como La Plata, cidade localizada a 59 quilômetros de Buenos Aires que também tem uma universidade pública, a Universidad Nacional de La Plata e que também oferece o curso de medicina. Porém, teoricamente, teria um processo de ingresso mais fácil ou simplificado que o exigido pela UBA.

Na Faculdade de Medicina da Universidad de La Plata existem 3.200 jovens matriculados para cursar o primeiro ano de medicina. Na primeira semana de aula, apenas 700 alunos entraram em sala, divididos em dois horários: um que inicia às 8h da manhã e outro às 14h da tarde.

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Essa divisão foi necessária porque a sala de aula mal consegue acomodar 350 pessoas. Devido a esse “tumulto” surgiram reivindicações do centro estudantil e uma batalha entre a universidade e o reitor.

Anteriormente a universidade possuía um exame de entrada eliminatório, uma espécie de vestibular, que funcionava como um enorme filtro de entrada. A mudança se deu no final do ano de 2015, quando a reitoria revogou tal exame, pois o considerava “excludente”.

Daí houve um salto de menos de 400 alunos para 3.300 matriculados no curso de medicina. Dado esse panorama, na reitoria dizem que o número de alunos ultrapassou, e muito, o espaço físico que a faculdade possui.

“Como muitos de nós imaginamos, o primeiro dia do curso foi caótico, e desde o início centenas de alunos se alinharam para entrar em uma sala de aula onde cabem 300 pessoas , sem ventilação e em que apenas um ar condicionado funciona”, descreveu em uma declaração o centro estudantil.

“No ano passado, haviam cinco turnos por dia e neste ano, apenas dois, na melhor das hipóteses, decidimos organizar para falar com as autoridades do curso, pedir para dividir-nos em turmas e que o primeiro ano do curso seja remanejado para partes da faculdade que estejam vazia.” também foi acrescentado na mesma declaração.

Esse foi um dos pedidos levados ao vice-reitor, que os recebeu na segunda-feira desta semana. Não satisfeitos com a resposta dada, centenas de estudantes se mobilizaram ontem na reitoria da universidade para exigir uma solução.

Julio Hijano, secretário acadêmico da Faculdade de Medicina, se defendeu: “Sabemos que não há boas condições, nós temos espaço físico e professores para 1.200 alunos, porém se matricularam 3.200. Se todos resolveram se matricular nesse curso a culpa é nossa? Queremos que todos estudem e aprendam, entretanto com 3.200 pessoas matriculadas ninguém vai conseguir aprender”.

Na busca por uma uma solução improvisada, os alunos, em sua mobilização nessa semana, também organizaram um “aulão” dentro da faculdade. Além disso, eles foram recebidos pelo Secretário-Geral da Universidad Nacional de La Plata, que se comprometeu a abrir o diálogo entre as três partes – estudantes, professores e a universidade – e oferecer um curso extra a partir de março, para que todos possam entrar.

Via infobae

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