Argentina Se Inspira no Brasil Para Fazer Uma Reforma

O governo de Maurício Macri se inspira no modelo de reforma trabalhista brasileira para poder alavancar o crescimento de postos de trabalho

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Para muitos que não sabem, nós já explicamos aqui que o Mercado Livre é uma empresa originalmente argentina.

O seu presidente e fundador, Marcos Galperin, sugeriu em sua conta de Twitter na semana passada, que a Argentina deveria adotar uma reforma trabalhista aos moldes da brasileira.

Em sua mensagem ele diz:

Vendo a reforma trabalhista brasileira, a Argentina pode:

1) Imitar-la

2) Sair do Mercosul

3) Desistir e perder milhões de empregos para o Brasil

Muitos empregadores na Argentina, como Marcos Galperin, estão assustados com a reforma realizada no Brasil, país esse que tem 30% menos impostos sobre mão-de-obra que a Argentina, no Chile esse número vai para 40% menos.

Essa preocupação se dá no que diz respeito a falta de competitividade que a Argentina terá em relação aos seus vizinhos do cone sul.

Na Argentina o salário médio de um trabalhador industrial é de US$ 1150, enquanto no Brasil é de US$ 750 e o Chile é de US$ 650.

Muitos que defendem a reforma não porque defendem salários piores, porém afirmam competitividade é uma variável que pesa muito ao instalar uma planta de uma empresa multinacional.

A economia local vem demonstrando leves sinais de que se recupera após 3 anos de recessão, entretanto o mercado laboral argentino continua em crise.

Há uma falsa ilusão de que a taxa de desemprego caiu. Era de 9,3% e baixou para 8,7%, entretanto, como aponta analistas locais, o que gerou essa sensação foi o número de pessoas que desistiram de procurar uma recolocação no mercado de trabalho e não em virtude da criação de emprego.

Um outro dado alarmante que vale ressaltar, é que um terço dos trabalhadores argentinos atuam na informalidade.

No que tange a tentativa de realizar uma reforma semelhante na Argentina, há um fato que não passou despercebido e já gera desconforto no poderoso setor sindicalista argentino: os trabalhadores brasileiros terão a opção de contribuir ou não com o seu sindicato. Este debate estará nas “cenas do próximo capítulo” e também será parte sensível na sensível discussão sobre a possível reforma.

Os ministros:

O ministro das Finanças, Nicolás Dujovne, disse que o governo vai conseguir realizar uma reforma trabalhista que “vai ser muito importante para a Argentina” e destacou o “diálogo” do ministro do trabalho, Jorge Triaca, com a Confederación General del Trabajo, (o que equivaleria a CUT no país vizinho).

“Todas as reformas promovidas pelo Ministério do Trabalho em negociações com os sindicatos e a CGT terão que respeitar a idiossincrasia do país, e teremos uma reforma que será muito importante para a Argentina”, afirmou o funcionário.

Perguntado sobre se a reforma que conduzirá a aliança de partidos do presidente Macri será semelhante à do Brasil, o oficial insistiu que o gigante sul-americano não é um espelho para o que pode acontecer na Argentina.

“Todo país tem que respeitar suas peculiaridades e tem que procurar consensos, porque as reformas que permanecem são as que foram acordadas”, disse o ministro das Finanças.

Todavia o ministro não conseguiu convencer os sindicalistas e não afastou o temor de que a reforma aos moldes da que está em prática no Brasil seja muito prejudicial os trabalhadores argentinos.

Pelo visto, após outubro o governo de Maurício Macri terá uma nova batalha pela frente.