Sem Nenhuma Surpresa: O Atendimento em Buenos Aires é Muito Ruim

Os vendedores de Buenos Aires são considerados preguiçosos e sem cordialidade: 4 em cada 10 são desagradáveis e mal cumprimentam o cliente. Esse é o resultado de testes com câmeras ocultas em mais de 7000 estabelecimentos

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Se você, brasileiro que mora ou já visitou Buenos Aires, já ficou enfurecido com a atenção de garçons em um restaurante, não se preocupe! Esse é um sentimento compartilhado por muitos.

Quando eles, os argentinos, voltam de férias de outros países e principalmente do Brasil, é muito comum escutar elogios rasgados sobre como os brasileiros estão sempre sorrindo e atendem bem e frases: en el bar no dejan de traer cerveza a la mesa, era vaciar una botella el mozo ya estaba con otra.

No bar não deixam de trazer cerveja para a mesa, era esvaziar uma garrafa e o garçom já trazia outra.

O que parece lógico em Buenos Aires não é uma regra. Estar sentado em bar pode ser uma luta para conseguir uma nova garrafa de cerveja ao acabar a sua. Pode levantar a mão, chamar o garçom/garçonete que as vezes fingem não ver o cliente e o principal, O MAL HUMOR.

Ao chegar, nem sequer um “olá” ou um “bom dia”. Nem mesmo “como vai?” Muito menos um “como podemos ajudá-lo?” O vendedor, entretido com seu smartphone atrás do balcão, apenas reage quando o cliente exige a sua presença.

O empregado então suspira e lança um “sim sim, diga-me”, sem deixar olhar para o celular e sem disfarçar seu aborrecimento. No final, a compra é concretizada, mas o cliente fica a sensação de “aqui não volto mais!”.

Tais cenas são repetidas todos os dias em todos os tipos de comércios do país e especialmente nos locais de Buenos Aires, onde lidar com comerciantes apáticos, descorteses e até hostis tornou-se não apenas usual, mas muito mais comum que em outras partes do país.

Esta foi a conclusão, pelo menos, de uma consultoria especializada em clientes ocultos depois de enviar agentes com câmeras escondidas para mais de 7.000 lojas nos últimos dois anos com o fim de avalia-los, apresentando-se como clientes.

Os resultados finais publicados pelo jornal Clarín, indicam que 4 de 10 vendedores/garçons de Buenos Aires e Região Metropolitana oferecem tratamento “desagradável e não cordial”.

“A falta de cordialidade mais usual é uma saudação incompleta ou nula (aquele famoso ‘bom dia’ sem vontade), e é seguida por uma má predisposição para aconselhar ou acompanhar o cliente”, disse Mariano Aguirre Littvik, diretor da Be There, a empresa que realiza as avaliações a pedido dos proprietários dos locais.

Mostrar relutância, responder com monossílabos, ter uma postura inadequada e não dizer nem tchau, são considerados outros defeitos. Avaliaram até mesmo a falta de sorriso dos atendentes, detectada em 35% dos fornecedores auditados.

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“Um tratamento cordial é início básico de uma boa experiência para o cliente, mas nem sempre acontece, especialmente em setores onde a velocidade do trabalho não permite dedicar a cada cliente o tempo que ele merece”, explica o representante da Be There.

O relatório detalha que, em Buenos Aires, um quarto dos vendedores de tecnologia e vestuário são reprovados em cordialidade. Em empresas como postos de gasolina, supermercados, Kioskos (lojas de conveniência), os índices de má atenção acontecem com mais de um terço dos clientes.

As taxas de atenção e simpatia, no entanto, são altíssimas em imobiliárias, concessionárias e empresas onde o vendedor tenta convencer o cliente a fazer compras de grande valor e há comissões em jogo.

a metade de pessoas que trabalham em redes de lanchonetes, sorveterias, farmácias, academias, companhias aéreas e hotéis avaliados, foram reprovadas no quesito boa atenção.

Mas na média ponderada, de acordo com Be There, 42% dos vendedores de Buenos Aires já foram hostis com os clientes.

Porém quando saímos da capital e regiões ao redor, a avaliação melhora um pouco. As taxas de reprovação na atenção registradas no Nordeste são de 33% (região de Missiones e Corrientes, quase fronteira com o Brasil), na Patagônia 32%, na região de Mendoza 31% e no Noroeste do país em regiões como Salta e Jujuy a falta de cordialidade cai para 25% dos vendedores analisados.

Sandra González, presidente da associação de consumidores Adecua, confirma que “todos os dias” eles recebem denúncias de má atenção de clientes em comércios.

Ela alega que em parte a culpa é das empresas que empregam vendedores em condições precárias, com jornadas muito longas e sem formação adequada.

Na ONG Acción del Consumidor (Adelco), Claudia Collado concorda: “As pessoas dizem que os vendedores não cumprimentam, maltratam e até mesmo discriminam, mas normalmente os clientes não reclamam disso no próprio estabelecimento”.

Cláudia também afirma que: “muitas vezes você vai comprar algo e eles fazem você sentir como se eles estivessem lhe fazendo um favor, algo que em outros países não acontece”.

E você? Já teve alguma má experiência em algum comércio na Argentina? Deixe a sua opinião nos comentários.

via: Clarín

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