Cristina Kirchner Volta ao Cenário Político e Busca Vaga no Senado

Depois de 1 ano e meio reclusa, Cristina volta ao cenário político argentino, e já causa polêmica

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Depois da derrota do seu candidato a presidente, Daniel Scioli, Cristina Kirchner transitou o último ano e meio entre o exílio em seu feudo político, a província patagônica de Santa Cruz, ao sul da Argentina, e os comparecimentos à corte penal de Comodoro Py, em Buenos Aires, para prestar depoimentos pelos 11 casos de corrupção os quais a ex- mandatária está sendo processada.

Nessa semana ela voltou à cena política reunindo forças e pretendendo candidatar-se a uma vaga no senado nas eleições legislativas de outubro desse ano. A questão principal é que ela já não conta com o mesmo apoio incondicional de antes.

Durante o seus dois mandatos, a ex-presidente estava filiada ao tradicional Partido Justicialista, partido que congrega grande parte dos políticos de ideologia Peronista.

Há um debate interno pré-eleições dentro do Partido Justicialista com a finalidade de eleger o candidato que representará a sigla, o que é normal na Argentina, já os interessados a postular-se a um cargo político têm que passar pelas eleições primárias, ou eleições dentro do partido, as quais são abertas para o voto geral da população e não só para os afiliados do partido, como acontece no Brasil. Essas eleições primárias são chamadas de PASO (Primarias Abiertas Simultáneas y Obligatorias).

Contudo na última quarta-feira, dia 14 de junho, Cristina diante da impossibilidade de ser candidata única com o apoio do seu partido, também conhecido pela sigla PJ, e depois de em vão fazer pressão interna dentro do Peronismo para o seu ex-ministro dos transportes, Florencio Randazzo retirasse a sua candidatura e não a enfrentasse nas primárias internas, ela viu-se obrigada a criar um novo partido agrupando os seguidores do “Kirchnerismo duro” e dividindo ainda mais a oposição ao governo do atual presidente Maurício Macri.

Cartaz da Central de Trabajadores de la Argentina colado pelas ruas de Buenos Aires: “para nós é ela”

Cristina fundou a “Unidad Ciudadana” e tem como objetivo: confrontar o restabelecimento do modelo neoliberal, que estaria sendo alavancado pelo atual presidente da nação.

Abaixo, carta de constituição do novo partido (em espanhol)

Analistas políticos criticam a jogada de “soberba” da ex-presidente que não quis participar do confronto interno dentro de seu próprio partido, e que isso vem a enfraquecer ainda mais a sua imagem política e a sua popularidade, a qual já esta em franca decadência no país após o fim do seu último mandato e a descoberta de vários casos de corrupção os quais ela supostamente estaria envolvida.

Mesmo dentro de seu agora, ex-partido, peronistas buscam distanciar-se da imagem da ex-presidenta, e acercar-se de alas mais novas e renovadoras do peronismo, prevendo uma impossibilidade de regresso ao poder seguindo a ideologia cada dia mais radicalizada do Kirchnerismo.

As PASO serão no dia 13 de agosto e a eleição legislativa que renova 1 terço da câmara dos deputados e senado (24 senadores e 127 deputados) será dia 22 de outubro.