Analistas do Itaú Apontam Argentina Como “Preferida” da América Latina

O país tem a sua moeda valorizada, sendo mais caro que outros da região, porém essa "fórmula" atrai investidores estrangeiros

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“O peso argentino está muito caro”, afirmou Mario Mesquita, economista-chefe do Banco Itaú. É verdade. E os brasileiros que vivem na Argentina sabem bem como o custo de vida no país está caro e que os reais que trazem do Brasil valem cada vez menos.

Em uma revisão da situação macroeconômica na região, Mesquita fez um exercício sobre de quanto a taxa de câmbio deveria ser em cada país da América Latina, de modo que exista um saldo de contas externas.

Para a Argentina, foi apontado que o dólar deveria valer AR$ 21,87, quase 25% a mais do que está cotado hoje. O Real, seguindo essa tendência, deveria valer AR$ 6,75 (hoje vale cerca de AR$ 5,40).

O banco brasileiro espera que a economia argentina cresça 3,5% em 2018 e que a inflação passe de 23% este ano, além de estimar que chegará aos 18% em 2018.

Para o economista, no entanto, a Argentina é um caso atípico, dado que, em um momento em que muitos países estão passando por processos eleitorais, com líderes com pouca popularidade, o governo de Maurício Macri tem um alto nível de apoio público.

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Essa “fórmula” faz com que a Argentina torne-se o destino preferido para quem pensa em investir na América Latina. A tendência é que Macri venha a ser reeleito nas eleições de 2019, e então, que María Eugenia Vidal (carismática governadora da província de Buenos Aires) ganhe as duas eleições seguintes. Os investidores vêem um período de 12 anos de estabilidade.

Maurício Macri e sua co-partidária, a governadora da província de Buenos Aires – María Eugenia Vidal

A tarefa de Macri também não parece fácil aos olhos dos investidores. Agora, diz Mesquita, Macri deve começar a fazer um ajuste fiscal, trabalhar a reforma trabalhista e buscar acordos com os governos provinciais.

Entretanto o país tem três grandes desequilíbrios que devem atacar, diz os analistas do Banco Itaú: déficit em conta corrente, inflação e déficit fiscal. “Cabe ao governo consertar o déficit fiscal porque ajudaria a reduzir o problema da inflação e da conta atual”, afirmou.

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Além disso, de acordo com Mesquita, a Argentina deve ser menos gradual no corte fiscal para ajudar a política monetária do Banco Central, que tem “o desafio de baixar a inflação em condições muito difíceis”. Mesquita advertiu que taxas de juros tão altas como hoje poderiam causar uma recessão no longo prazo.

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