Macri Busca Ampliar Apoio e Barrar Kirchner em Eleições Domingo

Ex-presidente Cristina Kirchner pode conquistar vaga no Senado. Caso de ativista desaparecido pode causar impacto nas eleições

35

Por G1

presidente argentino Mauricio Macri enfrenta neste domingo (20) seu primeiro desafio eleitoral desde que assumiu o poder, em 2015. Os argentinos irão às urnas em eleições legislativas para renovar um terço do Senado e metade da Câmara dos Deputados.

Enquanto o presidente busca mais apoio para aprovar suas reformas, também se preocupa em barrar o avanço da ex-presidente e líder da oposição Cristina Kirchner (2007-2015), que poderia conquistar uma cadeira no Senado.

+ Leia mais: como funcionam as eleições na Argentina

A coalizão de centro-direita de Macri, Cambiemos, no poder desde dezembro de 2015, não conta com maioria relativa (87 de 257 deputados, 15 de 72 no Senado), mas conseguiu governar mediante alianças pontuais. Nestas eleições, estarão em jogo 40 de seus assentos na Câmara e 15 no Senado. Veja o gráfico abaixo.

(Foto: G1/ Arte)

Analistas consultados pela agência Associated Press disseram que até pouco tempo atrás as eleições estavam “fechadas” com um triunfo previsto da Cambiemos nacionalmente e em províncias-chave, graças em parte a uma leve recuperação da economia, que o governo exibe como um estandarte. As pesquisas chegaram a indicar que o governo poderia obter mais de 40% dos votos em uma projeção nacional.

Mas a descoberta do corpo do ativista Santiago Maldonado, cujo desaparecimento provoca um grande debate público, poderia prejudicar o resultado. Uma das principais suspeitas, sobretudo por parte da família e de organizações de direitos humanos, é de que policiais foram responsáveis por seu desaparecimento. Nesta sexta, o irmão de Maldonado afirmou que reconheceu o corpo do ativista.

A Justiça investiga se o jovem foi vítima de um desaparecimento forçado pela polícia durante um protesto de apoio à causa dos indígenas mapuche no sul do país. Candidatos do oficialismo e da oposição suspenderam suas campanhas quando um corpo que pode ser do ativista foi descoberto.

Impacto do caso Maldonado

Analistas observam se o caso terá impacto principalmente na província-chave de Buenos Aires, onde as eleições primárias de agosto foram acirradas. Cristina Kirchner, candidata ao Senado pela coalização de centro-esquerda Frente para a Vitória, venceu por pouca diferença do candidato do governo, Esteban Bullrich. Trata-se do distrito com maior peso eleitoral em todo o país.

Protestos em setembro pela aparição de Santiago Maldonado – Foto: AFP

Pesquisas divulgadas antes do caso Maldonado apontavam que Bullrich estava entre 2 e 5 pontos à frente de Cristina. Bullrich foi ministro da Educação de Macri, mas é um desconhecido dos eleitores. Quem vota nele, está votando, na verdade, no presidente Macri e na governadora da província, Maria Eugenia Vidal, os dois políticos com maior imagem positiva na Argentina atualmente, de acordo com a agência France Presse.

Kirchner, entretanto, não conseguiu capitalizar o mal-estar dos argentinos, cujo poder de compra foi deteriorado por uma inflação que o governo não consegue controlar. Os preços aumentaram 40% em 2016 e 17% nos primeiros nove meses deste ano.

 Processada em vários casos de corrupção, a ex-presidente nega que sua candidatura ao Senado tenha como objetivo a imunidade parlamentar.
Peronismo dividido
O cientista político Fernando Ohanessian, em entrevista à AFP, atribui o sucesso previsto do governo nas legislativas de domingo à “divisão do peronismo”, e estima que isso “permite ao governo consolidar-se como primeira força política”.
O movimento peronista, fundado em 1945 pelo ex-presidente Juan Perón, está atualmente dividido entre Cristina Kirchner, de centro-esquerda, e duas correntes mais centrista encarnada pelo deputado Sergio Massa e por Florencio Randazzo, ambos ex-ministros da ex-presidente.

+Leia mais: Cristina Kirchner se afasta do peronismo clássico e funda um novo partido

“Se, depois da eleição, o cenário for um processo de união do peronismo, isso complicará para o governo. Se (o peronismo) não reunificar, o governo poderá pensar em uma estratégia para buscar um segundo mandato” em 2019, acrescentou o cientista político.

Comentários

comentários