Votação da Reforma da Previdência e Caos em Buenos Aires

Nessa última quinta-feira, dia 14 de dezembro, a câmara dos deputados argentina votaria o projeto que reforma a previdência local, porém as coisas não saíram tão bem como o governo de Maurício Macri esperava.

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Na semana que a capital da argentina sediou a reunião da OMC – Organização Mundial do Comércio, a cidade já estava um caos, com o trânsito interditado em várias ruas do centro, e acesso restrito em algumas áreas da cidade como o aristocrático e gastronômico bairro de Puerto Madero.

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Nessa última quinta-feira, dia 14 de dezembro, a câmara dos deputados argentina votaria o projeto que reforma a previdência local, porém as coisas não saíram tão bem como o governo de Maurício Macri esperava.

Sobre a reforma

Os principais países da América do Sul parecem caminhar juntos em momentos políticos e econômicos. Períodos de ditaduras em comum, períodos de prosperidade também e o mesmo acontece nos momentos de reformas.

Como no Brasil, que o governo de Temer tenta aprovar uma reforma da previdência, a Argentina discute no mesmo período uma tentativa de mudança de como será a vida dos aposentados no país.

A reforma previdenciária proposta pelo governo altera o critério de atualização dos benefícios de aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência e beneficiários de programas de renda mínima.

Estima-se que tais mudanças representarão uma economia de uns 100 bilhões de pesos argentinos (aproximadamente 20 bilhões de reais) para o estado argentino, sendo que os afetados são cerca de 17 milhões de pessoas.

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A aprovação da proposta somente é possível porque uma parte da oposição peronista, composta pelos governadores, negociou com o governo para que uma parcela dos recursos economizados seja destinada às províncias, que atualmente estão fortemente endividadas.

A cidade sitiada

A Plaza del Congreso foi tomada por manifestantes de grupos contrários a reforma, por agrupações de esquerda e por sindicatos. A gendarmeria (polícia militar argentina) montou um cordão de isolamento em frente a porta do parlamento para proteger os deputados que votariam a reforma.

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Entretanto conforme o clima esquentava do lado de fora sob o forte sol do (quase) verão austral, as coisas ficavam picantes do lado de dentro.

Deputados de oposição do bloco Kirchnerista aos gritos exigiam a suspensão da sessão pelo fato dos incidentes que aconteciam do lado de fora. A deputada  de oposição Victoria Donda pediu a Emilio Monzó, que presidia a sessão, para suspender os trabalhos.

Monzó, membro da situação e com o interesse da aprovação da reforma, recusou-se a acatar o pedido da deputada. Alguns parlamentares leais a Cristina Kirchner se aproximaram da mesa do presidente e a força bruta tentaram impedir que a sessão fosse iniciada dando até mesmo tapas no microfone.

Enquanto isso, do lado de fora grupos isolados começaram a atacar a polícia, que revidou com força desproporcional e se instaurou uma batalha campal como não se via desde dezembro de 2001, quando começou o colapso do modelo econômico de paridade do peso argentino ao dólar.

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O que se viu então na televisão foi a tela dividida entre a batalha dentro e fora do Congresso Nacional Argentino. A situação somente foi acalmada – um pouco – quando a deputada governista Elisa Carrió teve seu pedido de suspensão da sessão acatado.


Para o governo Macri a batalha foi perdida, porém a guerra continua. Corria o boato na noite de quinta-feira, dia 14, que o presidente aprovaria a reforma por decreto, porém diante da ameaça da CGT (Confederación General del Trabajo) – espécie de CUT argentina – de paralisar o país com uma greve geral nessa sexta-feira, Macri deu um passo atrás e vai esperar a nova sessão da Câmara dos Deputados que ocorrerá na segunda-feira dia 18 de dezembro.

 

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