Tango? Não! Hoje Veremos o Outro Ritmo Argentino – A Cumbia

Se quando você pensa em música argentina o tango é a primeira coisa que vem à sua cabeça, conheça hoje a cumbia argentina, o ritmo musical mais apreciado pelos hermanos

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Quando pensamos em música argentina, automaticamente pensamos em tango. O ritmo sensual surgido na zona boêmia da cidade de Buenos Aires no início do século passado é para a Argentina o que o samba é para o Brasil, um estilo musical referência. Entretanto o argentino em geral não é tão “tanguero” assim, e uma dos estilos musicais mais apreciados nacionalmente é a cumbia.

Muitos torcedores do Corinthians se lembrarão de Carlitos Tévez comemorando seus gols marcados pelo time paulista dançando cumbia.

Um breve histórico:

A cumbia nasce como estilo musical e dança folclórica tradicional na Colômbia. É um resultado da mistura cultural de indígenas e negros escravos na costa do Caribe durante o período colonial espanhol.

Um exemplo de cumbia colombiana

A cumbia se torna bem popular nos países caribenhos e também vai entrando no gosto de países mais ao centro do continente, como Peru, Equador e Bolívia, assim como no norte da Argentina.

Com a constante migração interna que começa na década de 1940, os habitantes de províncias ao norte como Salta e Jujuy e posteriormente imigrantes da Bolívia e do Peru chegam para viver em Buenos Aires e sua região metropolitana.

A cumbia ganhou popularidade na capital argentina e seus arredores e foi enraizando em diferentes classes sociais.

A cumbia argentina se distingue da variante original colombiana, já que foi fundida com ritmos locais como chamamé e tango, dentre outros. Outra característica particular é a inclusão do flamenco dos emigrantes espanhóis dentro de sua musicalização.

A cumbia romântica dos anos 90

Na década de 90, a cumbia teve muito sucesso em todo o país. Por exemplo o grupo Sombras, originário da província de Jujuy já tocava cumbia nos anos 80, porém foi na década seguinte que o seu sucesso chegou nos “boliches” (discotecas) de todo o país.

As portas da fama também se abriram para outros grupos como Tambó Tambó, Ráfaga e a cantora Gilda.

Sobre essa cantora, faremos um adendo especial: Gilda, faleceu prematuramente no ano de 1996 em um acidente de carro. Essa tragédia a transformou em um verdadeiro ícone popular levando com que alguns a idolatrem ao ponto de tratá-la como uma santa.

A cantora teve uma história incomum: ela era uma professora até que começou a cantar profissionalmente sem o apoio de sua família até sair de casa, se casar e começar a fazer sucesso. Caso lhe interesse saber mais sobre sua vida, no ano de 2016 foi lançado um filme biográfico chamado: Gilda, no me arrepiento de este amor.

Vale a pena lembrar que as suas músicas estiveram bem presentes nas comemorações eleitorais do atual presidente Maurício Macri.

Nesse período também se destacam grupos como Los Palmeras, Amar Azul, La Nueva Luna, Commanche, Antonio Rios, Los Wawanco, Los Chakales, dentre outros que marcaram uma época, que é saudosamente lembrada como Cumbia Vieja.

As músicas desses grupos são frequentemente tocadas em qualquer festa de 15 anos, casamento, churrasco, festa de aniversário, reunião familiar, comício eleitoral ou em altas horas da noite em um boliche. Quer uma prova?

Alguns passos de Cristina Kirchner e Bombón Asesino de grupo Los Palmeras

… e de Messi no seu casamento ao som de Jurabas tú de Los del Fuego

E nos estádios, como poderia faltar a cumbia? Há inúmeras versões que a “hinchada” (torcida) de cada equipe faz.

Essa é uma versão da música No me arrepiento de este amor de Gilda cantada pela torcida do Racing.

… e tem até Matt Damon, que é casado com uma argentina, arriscando uns versos de cumbia

Fizemos especialmente para você leitor, uma playlist com as melhores “cumbias viejas” para já ir entrando no clima das festas na Argentina.

A cumbia villera dos anos 2000

No final da década de 1990 em meio à grave crise econômica que o país enfrentava, a Cumbia Villera nasceu. Na Argentina uma villa miséria é uma favela, e daí vem o nome do estilo musical: é o som feito pelas camadas mais desamparadas da sociedade, similar ao que o funk representa no Brasil.

As letras desse tipo de cumbia denunciaram a vida nas favelas, atos criminosos, violência, drogas, sexo. Todas essas músicas eram muito “duras” e perdeu quase completamente o romantismo que era tocado nos anos 90.

Usando o vocabulário do dia a dia, os “cumbieros” falavam de suas realidades nas letras das músicas. Nesse lunfardo villero (modo como as pessoas falam na favela) há muitas palavras, expressões e situações que são vividas diariamente nesses bairros mais desfavorecidos.

O grupo Damas Gratis tornou-se muito conhecido com a música Laura, Se te ve la tanga (Laura dá para ver a sua calcinha) ou El humo de mi fasito (A fumaça da minha maconha).

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A cumbia villera é o estilo musical preferido de Carlos Tevez, esse que nasceu e cresceu em uma favela portenha chamada Fuerte Apache. Quando marca gols Tevez costuma mostrar uns passos.

Deste gênero também conhecidos são os grupo Flor de piedra, Pibes Chorros, El Pepo, Super Mercado e Yerba Brava entre os artistas mais reconhecidos.

Cumbia Cheta e as novas tendências

Atualmente, alguns jovens de classe média-alta começaram a se dedicar ao gênero, como é o caso de Los Totoras e Agapornis. O primeiro teve o seu primeiro sucesso com uma gravação mais dançante em espanhol de uma música dos anos 2000 da dupla sertaneja Bruno e Marrone (pode ir embora).

Já o grupo Agapornis, propõe canções com um ritmo cumbiero, como Si te vas da cantora colombiana Shakira. Atualmente eles também têm as suas próprias canções, que são bem rápidas, dançantes e pegajosas, similar ao que o sertanejo universitário representa no Brasil.

Esse sub-gênero é conhecido como cumbia pop e é a antítese da cumbia villera. Já os cantores da variante villera chamam essa novo estilo de “cumbia cheta” (cumbia de mauricinho/patricinha) ao invés de cumbia pop.

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Não podemos deixar de citar a grande avalanche de cumbia pop (cheta) uruguaia que chegou à Argentina nos últimos anos. Bandas como Rombai, Marama, Toco Para Vose Super Hobby entraram nas paradas argentinas de sucesso e permaneceram alí por muito tempo.

O padrão das músicas, a letra e até o sotaque é o mesmo dos hermanos, assim que muitos argentinos pensam que essas bandas são na verdade locais, o que enfurece muito os uruguaios.

Ao mesmo tempo, a cumbia combina perfeitamente com outros gêneros musicais e novas variantes são criadas ao lado do hip-hop, como a cumbia de Miss Bolívia.

Miss Bolívia que mistura Cumbia com Hip-Hop

A cumbia segue forte na Argentina e até hoje todos os estilos comentados acima são bastante escutado pelos hermanos.

A Cumbia Santafesina, mais romântica, continua lotando shows enquanto a Cumbia Cheta a cada dia que passa incorpora novas bandas que decidem investir no estilo, como Pijama Party e Los Bonnitos.

Ráfaga – Uma banda dos anos 90 que em 2016 lançou o super sucesso CERVEZA

A Cumbia Villera continua firme e com muitos adeptos em todo o país. Tanto, que a banda Damas Grátis vai tocar no festival de ROCK Lollapalooza esse ano. Duvida? Tá ai na quarta linha do lado direito de cima para baixo!

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E assim terminamos a nossa primeira viagem musical pela história da Cumbia argentina.

Gosta de Cumbia?
Já está dançando?!
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